Uma musica da Roberta Sá tem uma frase (ou verso) que me chamou a atenção - "Tudo que tinha larguei pelo chão de uma outra estrada". E cheguei a conclusão que não larguei nada em estrada alguma. Pelo contrário, recolhi. Experiências, decepções, aprendizado. Alguns deixaram carinho, as boas lembranças apagaram as más, com o tempo. Tive muitos amores, mas apenas dois foram grandes, enlouquecedores, avassaladores. E platônicos. Não vivi nenhum. Eram proibidos por mim. Por burrice, ética, caráter, mas proibidos. Quem sabe, exatamente por não terem sido vividos, concretizados, foram grandes, inesquecíveis..... Vá entender.
Numa mesma semana li uma matéria sobre a Suzana Vieira e vi a Paloma Oliveira com uma imensa ruga entre as sobrancelhas (viva o HD,rss). Mas o quero dizer é que isso me fez sentir normal. Em um mundo que preza tanto a "embalagem" sem se importar com o conteúdo, é bom saber que duas atrizes globais, famosas e festejadas, mostram as marcas do tempo sem pudores. Não vou ser hipócrita ao ponto de dizer que me orgulho das minhas rugas ou do meu corpo transformado. Por mim, queria voltar no tempo, ter a cabeça que tenho hoje com a carinha e o corpinho de dez anos atras. Masss (sempre existe um mas), encarar um centro cirúrgico em nome da vaidade não entra nos meus planos. Acho desnecessário. Todos vamos envelhecer e acredito que cada fase da vida tem sua beleza. Corpão? Tenho mais não. Mulherão? Sou sim. Porque "mulherão" não é apenas um rosto jovem e/ou um corpo bonito. Mulherão, na minha modesta opinião, engloba todo um contexto que vai muito, infinitamente além da embalagem. Mas isto é papo para outro post.
2014. E.....Nada. Nada mudou. Quem sabe, talvez, quiçá, a esperança. Desiludida? Amargurada? NÃO. Pragmática. Pé no chão. Antes dos 50 tinha a ilusão que, a partir de hoje, tudo mudaria. Uma fada madrinha viria com sua varinha de condão e faria a mágica da transformação. Dívidas pagas, problemas resolvidos, mágoas superadas, amores renovados. Acontece que na briga entre a fada madrinha e a bruxa má, esta sempre levava a melhor. Absolutamente tudo continuava igual. Agora? Depois dos 50? Vi que se alguma coisa deve mudar sou EU quem precisa impulsionar. A mudança começa por mim. Aqui dentro e independe de dia, mes ou ano, se é inverno ou verão, se é dia ou noite. E a esperança de que consiga lutar contra a inercia, o comodismo, o medo do novo, a visão das coisas, ahhhhh..... esta sim mudou. Voltou. Renasceu. Então, bem vindo Ano Novo. Espero, sinceramente, te fazer mais feliz que esse que se foi.